O ensino lúdico de Matemática: um relato de experiência

por novembro 20, 2020Educação, Inovação, Marketing

A matemática, para muitos alunos, se mostra como um desafio – quase intransponível.. A boa notícia é que é possível melhorar essa relação de receio e dificuldade, e a resposta está na ludicidade.

 

– Quem aí gosta de Matemática, levanta a mão?

Creio que a minoria, não é?! Quero começar me inserindo nessa minoria, pois, tinha pavor da disciplina. Quando criança eu não entendia porque 2 x 5 dá 10; apenas decorava a tabuada por causa da “arguição”, à frente da classe e valendo nota. Que sufoco!!! E quando tinha as expressões numéricas de uma ponta a outra, da linha do caderno? Sempre me enrolava para descobrir o resultado, e era motivo de tantos “X”, nas correções de caneta vermelha da professora em meu caderno. Ah, e por causa desta “tal” da Matemática ainda recebi minha primeira nota vermelha!

Bom, o tempo passou… Me tornei professora e comecei a perceber essa mesma dificuldade na maioria dos alunos. Me preocupava com aqueles dois ou três alunos que sempre tinham pavor de Matemática e ficavam com notas baixas. Fato que me incomodava demais! Talvez, devido ao fato de minha primeira escola ser de zona rural e com as turmas multisseriadas.

Quando precisei fazer minha Graduação, pois só tinha o Curso de Formação de Professores (Ensino Médio), me deparei com a pesquisa científica e nesta escolhi investigar para descobrir uma forma mais significativa para o aluno aprender Matemática.

“Brincando para aprender Matemática”

E qual foi o assunto do meu TCC? “Brincando para aprender Matemática”! Decidi pesquisar sobre o aprendizado da disciplina de forma mais lúdica, menos formal e abstrata, começando pela Educação Infantil com muitas brincadeiras e, no 1º ano do Ensino Fundamental, já utilizando alguns jogos.
Resultado: me apaixonei por essa “tal” Matemática! Mudei o olhar e passei a compreendê-la! Consequentemente, mudei a maneira de ensinar. Contudo, muitos alunos ainda tinham certa dificuldade em outras disciplinas também, e por isso, decidi fazer uma Pós – Graduação em Psicopedagogia. Com mais conhecimento sobre como a criança aprende, a intervenção do professor é mais eficaz!

Quando eu mudei de escola e passei a dar aula só para a turma de 1º ano do Ensino Fundamental, numa cidade bem pequena, pude auxiliar ainda mais os alunos. Nessa escola, todos os anos, se fazia um projeto de encerramento, pois anteriormente havia a conhecida “Festa do Livro”, onde as crianças tinham uma espécie de “formatura” por aprenderem a ler.

Então, em 2010, decidi fazer algo conforme a necessidade dos alunos, e não somente com o foco em festa de encerramento. Escolhi um tema “muito difícil de achar decoração”, me disseram! Qual? Adivinha? Isso mesmo: a “tal” da Matemática! Lá vem ela me desafiando novamente! Percebia que a maioria das crianças não entendia bem a disciplina, detestavam-na pra falar a verdade!

Aprendizagem prazerosa
Neste caso, comecei a colocar em prática a aprendizagem prazerosa e significativa partindo do contexto das crianças. Organizei um “mercadinho” dentro da sala de aula, com embalagens vazias dos produtos trazidos por eles.

Foi todo um trabalho em equipe, habilidade valorizada nos dias de hoje (e até para o profissional do futuro, não é?). Assim, fizemos desde a propaganda do Mercado, até a escrita dos valores monetários para colocar em cada produto. Tinha o aluno que ficava no caixa recebendo o dinheiro, calculando e dando o devido troco.

Este, ainda tinha uma folha para anotar a saída de cada produto, para obter noção de “livro-caixa”, fazendo o balanço do dia e vendo se teve lucro ou prejuízo. Ainda usava a calculadora como tecnologia e registrava os cálculos na folha também! Teve até rodízio de alunos que queriam ficar no caixa do mercadinho!

Aprenderam tantos cálculos relevantes para o seu dia a dia, perceberam a importância dos registros matemáticos, da data de validade dos produtos, da comparação de preços etc. Enfim: aprenderam de forma lúdica as quatro operações matemáticas!

A partir desta experiências elaboramos situações-problemas para anotarem em seus cadernos e fazerem os devidos cálculos. E o dito que Matemática é um “bicho-de-sete-cabeças”? Essa turma não conheceu! Eles amavam a disciplina, pois, vivenciaram na prática o que viam fora da escola, quando iam ao mercado com os pais ou familiares.

Com relação à festa de encerramento e o projeto escolhido…passamos para uma parte da Matemática: a Geometria, pois os alunos confundiam certas formas planas. Pesquisei na internet algumas musiquinhas infantis sobre as formas e, só encontrei quatro.

Então, compus paródias para as demais formas geométricas. Assim, eles aprenderam cantando e entendendo as diferenças entre as formas! Fomos além: realizei aulas-passeio pela cidade, pelo campo de futebol, para observarem as formas presentes; baixei vídeos sobre a presença da geometria nas construções, na moda, no esporte e até na natureza.

Ah, ainda fizemos uma releitura da obra do pintor Piet Mondrian. Ao fim, nossa festa teve uma apresentação musical sobre as formas planas!! Quem iria que essa “tal” Matemática viraria até música?!

Resumindo: a Matemática precisa ser compreendida pelo aluno! Nós, professores, somos os mediadores nesse processo; assim como Jesus, que ensinava de forma tão lúdica!

 

Ezilani Santos da Rocha
Pedagogia dos Anos Iniciais.
Pós-graduada em Psicopedagogia.
Autora do livro “De repente geometria”

Instagram:
@ezilani
@derepentegeometria

 

Revista Veredas Educacionais – outubro/ 2020

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