Desenvolvimento socioemocional nas escolas: uma perspectiva de ensino integral

por março 4, 2020Educação

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) deve estar sempre sensível às necessidades complexas da sociedade para garantir que a educação promovida supra as necessidades dos próprios alunos. Por esse motivo, a Base já inclui o desenvolvimento de habilidades socioemocionais.

Atualmente, a educação não tem visto como importante somente o ensino de conteúdos propriamente ditos. Têm-se falado cada vez mais sobre a importância de desenvolver as habilidades socioemocionais para que esse aluno consiga resolver demandas complexas da sociedade
e do ambiente de trabalho.

Neste âmbito, é ímpar discutirmos sobre o que são essas habilidades e como a escola pode adequar essa demanda na proposta pedagógica.

 

HABILIDADES SOCIOEMOCIONAIS.

Segundo Wagno Alves Bragança, especialista em formação ética e socioemocional do Programa BENE, a própria Base Nacional define as competências como a “mobilização de conhecimentos – conceitos e procedimentos, habilidades – práticas, cognitivas e socioemocionais, atividades e valores para resolver demandas complexas da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do mundo do trabalho”.

“Agora, as escolas e estudantes devem pensar o ensino e aprendizagem na perspectiva integral, ou seja, usar todos os saberes para dar conta da existência humana, respeitando os princípios universais, como ética, direitos humanos, justiça e sustentabilidade”, disse.
De acordo com ele, essas habilidades estão inclusas na BNCC porque este documento considera que todas as dimensões da educação – cognitiva, socioemocional, corporal e a transcendência – funcionam articuladamente.

“Tratar das habilidades socioemocionais é ver o aluno em sua integralidade, pois, conforme preceitua a própria base, ‘as redes de ensino e escolas particulares terão diante de si a tarefa de construir currículos com base nas aprendizagens essenciais estabelecidas na BNCC, passando, assim, do plano normativo propositivo para o plano de ação e da gestão curricular que envolve todo o conjunto de decisões e ações definidoras do currículo e de sua dinâmica’ (BNCC 2017 p.20)”, citou.

 

COMPETÊNCIAS

Para Wagno, todas as competências preconizadas na BNCC estão relacionadas às habilidades socioemocionais, devido à integralidade do ser humano e do ensino-aprendizagem a ele oferecido. Contudo, as competências 8, 9 e 10 têm sido consideradas, pelos estudiosos, como as que se aplicam às habilidade socioemocionais.

“Isso ocorre porque elas tratam das dimensões humanas relativas ao autoconhecimento, cuidado com a saúde física e emocional, reconhecer a diversidade humana, bem como reconhecer suas próprias emoções e as dos outros, ter autocrítica e capacidade de lidar com elas”, explicou.

De acordo com o especialista, exercitar a empatia, ser capaz de resolver conflitos pela via dialógica, mantendo uma atitude cooperativa, respeitosa, acolhendo e valorizando a diversidade, bem como ser responsável por suas ações, tendo autonomia em suas condutas, sendo flexível, mas, ao mesmo tempo, determinado em suas decisões, que devem ser tomadas com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários são outros pontos que são ressaltados pela educação socioemocional.

 

CONTRIBUIÇÕES

 Wagno defende que, ao ensinar habilidades socioemocionais, o estudante é preparado para a vida.

“Os estudantes devem utilizar os saberes para a sua vida diária, numa atitude respeitosa aos princípios universais, como a ética, os direitos humanos, a justiça social e a sustentabilidade ambiental. Dessa maneira, à medida que o estudante conhece a si mesmo, identifica suas emoções, e saiba como lidar com elas, aceitando seus limites como desafios de aprendizado, ele estará mais habilitado e preparado para o enfrentamento dos desafios da existência humana”, garantiu.

Todo esse conhecimento não fica retido – é colocado em prática no dia a dia, diante de conflitos e desencontros. Para Wagno, num mundo onde o egoísmo impera, onde há uma baixa capacidade para lidar as frustrações, as pessoas precisam exercitar o autocontrole, fruto do autoconhecimento, numa atitude respeitosa para com os outros.

“Na medida em que os estudantes se reconheçam como autores e atores de sua própria história, se responsabilizando por suas escolhas, pensando em como ele poderá contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, é que estarão colocando em prática as habilidades socioemocionais”, frisou.

 

ADEQUANDO À PROPOSTA PEDAGÓGICA

O especialista defende que a escola deve encontrar um bom parceiro que seja afinado com a sua filosofia de trabalho para adequar o ensino dessas habilidades à proposta pedagógica do colégio.

“Adquirir um ‘programa de formação socioemocional’ que não se alinhe ao jeito de ser da escola é um tiro no pé. Esse alinhamento é de fundamental importância para que haja coerência no fazer educação, uma educação que busque a formação integral do ser humano”, concluiu.

Na medida em que os
estudantes se
reconheçam como
autores e atores de
sua própria história
eles estarão
colocando em prática
as habilidades
socioemocionais

Wagno Alves Bragança
Instituto Hexis / Bene

Conheça o Programa BENE: www.programabene.com.br

 

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