COVID-19: “Novo normal”

por agosto 31, 2020Educação

O processo de volta às aulas está dentro do que está sendo chamado de “novo normal”, que é a volta das pessoas às atividades rotineiras, mas com todos os cuidados necessários. Os especialistas contaram quais medidas as escolas geridas por eles adotarão.

 

Professor Alysson Massote Carvalho, especialista em gestão escolar e diretor geral do Instituto Presbiteriano Gammon (MG)

“Avalio que não teremos a volta às atividades rotineiras. O retorno não terá como diferencial apenas a questão dos cuidados preventivos. Teremos uma nova escola que deverá funcionar inicialmente com um sistema híbrido contemplando, simultaneamente, aulas presenciais e online.

Temos uma equipe trabalhando no retorno às atividades presenciais, com o apoio e orientação de profissionais de saúde e, de forma sintética consideramos os seguintes aspectos:

1- Observância dos protocolos. Enquanto eles não são divulgados temos nos referenciado por aqueles adotados em outros países como França, Portugal bem como pelos documentos produzidos pela UNESCO, CDC, Sociedade Brasileira de Pediatria, entre outras entidades.

2- Adaptações tecnológicas para a transmissão das aulas presenciais;

3- Período de acolhimento a toda comunidade, sobretudo alunos e professores, considerando as variações temporais desse período por série;

4- Avaliação diagnóstica formal somente após o período de acolhimento ter sido realizado;

5- Retomada de assuntos em relação aos quais foram identificadas deficiências no aprendizado;

6- Nova avaliação para verificar a eficácia da retomada;

7- Ajustes no calendário de 2021 visando a consolidação de assuntos para os quais foi identificada essa necessidade.”

 

Professor Luciano Sathler, especialista em gestão escolar e Reitor no Centro Universitário Metodista Izabela Hendrix.

“A Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) propôs um modelo de protocolos a serem adaptados à realidade de cada município. Além do protocolo pedagógico e do protocolo jurídico há o protocolo de saúde, no qual se destacam as seguintes recomendações.

  1. Organize a sua estrutura operacional para que seus alunos mantenham uma distância de um metro quadrado entre elas e as demais pessoas, inclusive outros estudantes e professores, em todas as atividades educacionais presenciais.
  2. Higienizar as dependências da escola diariamente com água sanitária diluída em 1 colher de sopa por litro de água, pulverizando em todos os ambientes, antes da chegada das pessoas envolvidas nas atividades presenciais.
  3. Disponibilizar álcool gel 70% com fácil acesso em todos os espaços físicos da escola, especialmente em salas de aula.
  4. Orientar e promover a higienização das mãos de todos aqueles que compareçam às atividades educacionais presenciais, no momento do ingresso às dependências da unidade educacional.
  5. Promover e fiscalizar o uso obrigatório de máscara de pano por todas as pessoas que compareçam ao estabelecimento educacional, especialmente alunos, professores e demais colaboradores.
  6. Realizar a aferição da temperatura de todas as pessoas que compareçam ao estabelecimento educacional, no momento do ingresso às dependências da unidade educacional.
  7. Promover o isolamento imediato de qualquer pessoa que apresente os sistemas característicos da covid-19, orientando-a e a seus familiares a realizar a imediato procedimento de quarentena de 14 dias em sua residência.
  8. Notificar a existência de casos confirmados de covid-19 às autoridades de saúde do município detectados em alunos, professores e demais colaboradores, imediatamente à tomada de conhecimento.
  9. Promover a demarcação dos espaços físicos da unidade escolar de forma a aprimorar as medidas de distanciamento social.
  10. Promover o afastamento de atividades presenciais, reorganizando-as em alguma das modalidades remotas possíveis, de alunos e trabalhadores que se enquadrem nos grupos de risco ao novo coronavírus (COVID-19), dentre eles: I – maiores de 60 anos; II – gestantes; III – pessoas que apresentem sintomas relacionados à COVID-19, quais sejam: febre e tosse (seca ou secretiva) persistentes, coriza e falta de ar; IV – portadores de imunodeficiência de qualquer espécie; V – transplantados e cardiopatas; VI – portadores de demais comorbidades associadas à COVID-19.
  11. Desenvolver rotina de treinamento intenso e contínuo para alunos e trabalhadores sobre o protocolo de saúde, com especial ênfase na correta utilização de máscaras, higienização de mãos e objetos e respeito ao distanciamento social seguro no ambiente escolar.
  12. Desenvolver rotina de treinamento intenso e contínuo às famílias sobre o protocolo de saúde, com especial ênfase no engajamento colaborativo desses na orientação de seus familiares e na sua corresponsabilidade no sucesso dessas medidas, inclusive com a rápida e fidedigna comunicação à instituição de ensino e às autoridades de saúde no caso de constatação de algum dos sintomas do covid-19.
  13. Recomendar a alunos e trabalhadores para que, na medida do possível, utilizem calçado adicional limpo para utilização, inclusive, dentro de sala de aula.
  14. Recomendar a alunos e trabalhadores para que, na medida do possível, tenham máscaras de pano adicionais para troca a cada 3 horas de permanência em ambiente educacional presencial.
  15. Recomendar a alunos e trabalhadores para que, na medida do possível, tragam sua própria toalha de mão, de pano, para utilização no ambiente educacional.
  16. Disponibilizar em todas as vias de ingresso ao ambiente educacional tapetes úmidos com água sanitária de boa qualidade.
  17. Garantir que os ambientes dentro da escola estejam o mais arejados possível, especialmente as salas de aula, realizando a atividade educacional, sempre que seja viável, em áreas abertas.”

 

Marcos Fernando Ziemer, Vice-Presidente para a Educação Básica da ABIEE (Associação Brasileira de Instituições Educacionais Evangélicas) e professor universitário da ULBRA (Universidade Luterana do Brasil), e Núrfis dos Santos Vargas, Diretora da Rede de Escolas da ULBRA.

“A escola deve, basicamente, valer-se da utilização de protocolos que compreendem:

a) Prevenção:

– Usar máscaras;
– Trocar calçados;
– Aferir a temperatura corporal de todos;
– Escalonar entradas, intervalos e saídas de alunos,
– Proporcionar drive thru para chegada e saída dos alunos,
– Continuar com  atividades domiciliares e ampliar gradativamente a participação presencial nas salas de aula (blended),
– Restringir aglomerações dos responsáveis em ambientes escolares;
– Utilizar checklist de limpeza em sanitários, salas de aula, espaços utilizados pela comunidade escolar, etc;

b) Monitoramento: elencar setores e pessoas específicas para descrever os indicadores e execução dos protocolos;

c) Controle: Verificação de casos de contágios; Se sim, acompanhamento dos procedimentos.

Na dimensão pedagógica, a escola pode estruturar um Plano de Ação, onde estão descritos os objetivos de aprendizagem elencados nos planos de ensino, para ser trabalhados nas áreas de conhecimento das séries, carga horária, metodologias, recursos e avaliação no período de atividades remotas.

E outro Plano de Ação para o retorno das atividades, com a aplicação da avaliação diagnóstica, é a proposta de recuperação customizada da aprendizagem, a reposição de aulas, carga horária para conclusão do ano letivo e a reorganização do Calendário Escolar.

Tudo isso para proporcionar serenidade aos alunos, professores e pais.”

 

Revista Veredas Educacionais – agosto / 2020