Capelania Escolar muito além dos muros da escola

por março 2, 2021Educação

Em tempos de descarte e relatividade de valores fundamentais, a Capelania escolar desempenha a função de formar intelectual e emocionalmente alunos e professores, promovendo um resgate dos valores construtivos sociais e espirituais.

 

Na contramão de uma sociedade que diariamente rejeita os valores cristãos que outrora eram bem vistos e regiam as relações, a Capelania vem com o objetivo de promover esse resgate e oferecer suporte aos integrantes de uma escola.

Nunca se precisou tanto de assistência religiosa dentro das instituições de ensino como nos dias atuais. A Capelania escolar é, portanto, um serviço de apoio espiritual centrado nos princípios bíblicos, comprometido com a formação intelectual e emocional do aluno, inclusive dos professores, no resgate dos valores construtivos sociais e espirituais, transmitindo palavra de orientação e encorajamento no cotidiano e, especialmente, em momentos de crise.


CONTRIBUIÇÕES DA CAPELANIA

É cada vez mais comum nos depararmos com problemas que permeiam a vida privada dos estudantes, que pela ausência de assistência especializada e de qualidade, afetam o desempenho estudantil, familiar e social, contribuindo para o agravamento da rebeldia familiar, imersão nos vícios (games, redes sociais, droga etc), sexualidade precoce e dependência excessiva ao dinheiro induzindo às práticas criminosas.

Nesse sentido, a função do capelão neste ambiente é, por meio do aconselhamento e muita sabedoria, contribuir para o aperfeiçoamento do indivíduo e do coletivo, bem como o funcionamento da estrutura escolar, usar a Bíblia como ferramenta de trabalho, investir tempo em sua capacitação pessoal por meio de cursos, congressos, livros e tudo o que mais for necessário.

Segundo o Reverendo Ivanilson da Silva, Capelão do Colégio Presbiteriano de Macaé, a Capelania se realiza por meio do contato e da comunicação pessoal e abarca quatro práticas: visitação, orientação, aconselhamento e cultos.

“Buscamos fazer um levantamento de quais alunos estão passando por crise pessoal ou familiar para, tendo isso em mãos, saber agir em cada caso”, destaca o capelão.

Para ele, o serviço de Capelania também é voltado para a formação do caráter, visando o aluno como pessoa, fornecendo-lhe princípios para uma vida melhor em família e na sociedade. O Reverendo considera frutífero a apresentação de palestras direcionadas para qualidade de vida, vida em família, relacionamento com o próximo, sexualidade, namoro, noivado e casamento.

“Essas palestras são escolhidas de acordo com o momento de vida do jovem para ajudar na sua formação. A Capelania também é responsável pela recreação da alma, a integração, a interação, e o interesse pela vida – e com nossas práticas, visamos alcançar isso”, defende.

ASSISTÊNCIA FAMILIAR

Dessa forma, o resultado de boas práticas de Capelania ultrapassa os muros da escola. “Quando conseguimos ganhar a confiança dos alunos, chegamos ao coração da família. Oramos por questões que envolvem a família. Visitamos quando eles precisam. Atendemos quando a família precisa de orientação. Todas essas ações firmam um laço muito forte para o fortalecimento e crescimento do aluno”, ressalta o Reverendo Ivanilson.

Segundo o Pastor Ronaldo Assis, Capelão do Colégio Batista do Vilar, esse acolhimento das famílias já é uma realidade nas escolas. “Essa assistência que propomos a tudo que envolve o universo do aluno é um diferencial que reforça a confessionalidade da escola, bem como sua identidade denominacional”, completa.

Para o Pastor Jorge Jesus, Capelão do Colégio Batista de Campos, a prática evidentemente ultrapassa o ambiente escolar. “Isso acontece porque há uma necessidade de comunhão e conhecimento da vontade de Deus e, em alguns casos, famílias chegam ao agradecimento ou buscam o colégio como forma de saber como ampliar a conquista que já está sendo feita pelo convívio do seu filho ou filha neste ambiente”, afirma.

ALÉM DA RELIGIOSIDADE

Ainda que se trate de uma prática religiosa, ela consegue alcançar facilmente alunos não cristãos. “O serviço da Capelania é leve e não caminha por um viés de obrigação. Tentamos despertar o aluno para as programações trazendo temas interessantes e que falem a mesma linguagem do aluno. Com essas ações, o aluno sente prazer em aprender e se envolver nas ações da capelania”, explica o Reverendo Ivanilson da Silva.

Para o pastor Ronaldo Assis, o foco deve ser trabalhar valores universais como respeito, caráter, socialização, entre outros. “[O trabalho deve ser feito] por meio do respeito à consciência, cultura e crença de cada pessoa sem constranger ou forçar o entendimento de qualquer individuo”, garante.

O Pastor Jorge Jesus diz que bons resultados são alcançados com alunos não cristãos. “Estes, através dos seus próprios amigos e colegas de turma, são convidados para participar de momentos como as células ou conversas informais nos intervalos, onde buscamos aproximação e um contato para envolver nas atividades. Muitas vezes é possível até vê-los tocando instrumentos e sendo participativos. Mas isso acontece por meio de muitas orações e intercessões”, revela.


HISTÓRIAS DE TRANSFORMAÇÃO

Certamente, muitos benefícios são colhidos com a prática da Capelania. Contudo, alguma história sempre marca de forma mais contundente. Por isso, a Veredas Educacionais pediu que cada capelão entrevistado contasse uma história que marcou a sua missão.

O Reverendo Ivanilson relatou a história de um aluno que tinha dificuldade de relacionamento. “Passamos um bom tempo atendendo o aluno e a família. Criamos meios para que este aluno pudesse expressar seus sentimentos da melhor forma possível. Hoje, este aluno consegue interagir com outros alunos, com sua família e com seus amigos. A Capelania foi essencial neste desenvolvimento”.

Vários casos marcaram o Pastor Ronaldo Assis, mas um em específico chamou a atenção. “Essa história aconteceu na formatura do terceiro ano do E.M no ano passado. Um pai veio agradecer reconhecendo o resultado e  a importância da abordagem pastoral realizada com o aluno, com ele e a esposa, pela não aceitação das limitações de seu filho. O adolescente, filho do casal, após passar por várias escolas, encontrou seu espaço no Colégio Batista, onde concluiu o E.M com louvor e muita alegria pra todos!”, celebra.

Uma história que marcou o Pastor Jorge Jesus foi quando soube de um aluno que estava aniversariando e que não havia ido estudar. “Prontamente liguei para ele. Fui atendido por sua mãe, que me relatou a alegria de ter feito a ligação, mas que seu filho estava com depressão debaixo do edredom no quarto já às 10:30h . Pedi para falar com ele. Quando ele pode me ouvir, falei do dia lindo, da manhã que começou especial pelo dia do seu aniversário, do Deus que preparou tudo para ele. Ele riu e me agradeceu. Pedi para que saísse do quarto e disse que no dia seguinte eu poderia o abraçar. O aluno disse que quando chegasse ao colégio iria me procurar. Então, no dia seguinte, um jovem bateu em minha sala e me abraçou dizendo: ‘muito obrigado, eu sou o rapaz que o senhor ligou’. A sua mãe me procurou e me agradeceu porque, embora ela não tenha conseguindo tirar ele do quarto, a ligação mudou tudo”, relata.


UM CAPELÃO PRECISA ESTAR APTO PARA:

Prestar assistência religiosa aos alunos, pais e professores sempre que solicitado, respeitando a fé e a crença individual;

  1. Instruir quanto aos valores e princípios bibliocêntricos;
  2. Interagir com os projetos pedagógicos, dentro dos limites permitidos;
  3. Realizar cultos e devocionais dentro e fora do complexo estudantil;
  4. Distribuir bíblias e materiais didáticos cristãos como meio de instrução e evangelismo social e familiar;
  5. Ter uma palavra sábia sempre que solicitado;
  6. Ter uma vida exemplar, evitar erros e confrontos desnecessários.


Pr. Ronaldo Assis
Capelão do Colégio Batista do Vilar/RJ


Revista Veredas Educacionais – maio/ 2019